sexta-feira, maio 30, 2008

A força está nas palavras



(Já dizia o Miguel Esteves Cardoso...O amor é fodido!)

segunda-feira, abril 14, 2008

Dá-me lume...se queres ver!!

Se há coisa que já começa a fartar um bocadinho é esta história de manter aceso um objecto de forma cilíndrica ao qual atribuímos irracionalmente um valor que não tem!!

Quer dizer então que para manter os valores associados ao desportivismo, como sejam a combatividade, a vontade de ganhar, a lealdade, o companheirismo, a igualdade cultural, credo religioso e por aí fora, temos nós que levar com um pau aceso numa das extremidades?! As mentes mais poluídas certamente já estarão a desvirtuar o conceito da frase, mas escusado será frisar que é numa das extremidades do cilindro que emana a chama...E levar salvo seja, porque por mim, e com o dinheiro que gastaram neste tour mundial já fazia umas belas férias durante uns largos meses...estou a brincar...distribuía o dinheiro equitativamente por associações sem fins lucrativos cujo objectivo principal é ajudar os povos mais carenciados (ou então não!). Isso sim, seria de valor e contribuía muito mais para disseminar os valores olímpicos.

E perguntam vocês o que simboliza a chama acesa? Nada mais nada menos do que o fogo que Prometeu roubou a Zeus para entregar aos homens. Ora vamos lá ver uma coisa...por um lado estamos a apelar à paz, espírito de entre-ajuda, solidariedade etc e tal, e por outro, estamos a dar crédito a uma tocha que representa um vil acto de um larápio? Parece-me um perfeito contrasenso, cujo expoente máximo está a ser concretizado através das lojas chinesas aqui no bairro. Vamos todos deixar os coitadinhos dos olhinhos em bico entrar no país à vontade, pois eles precisam de fugir a um regime opressor dos direitos humanos, mas vamos deixá-los tomar conta de todos os espaços comerciais da mouraria, ok? E que tal importarmos mais mercadoria têxtil chinesa, fabricada a custos umas vinte vezes inferiores, e fechar as nossas fábricas, destruindo o nosso tecido empresarial lançando para a miséria todos os seus operários?! Daqui a nada estamos nós a aumentar o diâmetro do círculo amarelo da bandeira olímpica (que significa o continente asiático) só porque eles são mais e têm poder para isso!! Já agora...alguém já viu um funeral de um desses digníssimos e ínclitos funcionários desses humildes estabelecimentos comerciais dedicados à restauração, vulgo chafaricas com balões vermelhos pendurados à porta, com decoração e ementas iguais entre eles, onde nem a música ambiente muda...ou se muda, nem parece! Eu até diria que jantar ao som daquela música é como assistir ao festival da Eurovisão, mas só com os concorrentes portugueses dos últimos, digamos, 20 anos...Ahhh, só de imaginar essa colectânea de magníficos sons de música ligeira portuguesa já sinto a repercussão ao longo do meu aparelho digestivo, como que a querer regorgitar de uma só vez toda a comida ingerida no dito restaurante, incluindo o crepe...o que é pena, pois o crepe é capaz de ser a única coisa na qual eu confio realmente na culinária chinesa, e agora que me ponho a pensar, se calhar não! Quantas litradas de óleo são necessárias para fritar aqueles crepes até ficarem estaladiços? E aqueles bocadinhos insuspeitos de carne picada que surgem inocentemente no meio do crepe, como que a dizer "eu só estou aqui por acaso...não faço parte da receita original, mas não levem a mal a minha presença"...ora se pensarmos em 10g de carne por cada crepe servido, teremos 1Kg de carne por cada 100 crepes servidos e por aí fora...Se desossarmos um corpo de 60Kg (eles são magrinhos e levezinhos), bastam uns míseros 6000 crepes para despachar um deles, pelo que por aqui já dá para perceber o porquê de até agora não se ter visto nenhum funeral de chineses! E se venderem cada crepe a 1€, temos a avózinha a ser despachada com uma bela receita de 6000€ em vez de se pagar a uma funerária para tratar do assunto...nada mau, hein?! Se calhar já investigavam isso e aproveitavam a tocha olímpica para incinerá-los, assim em conjuntos de 1500 de cada vez...que tal? O meio ambiente agradece, pois assim era possível manter sempre aceso o espírito da coisa, e ainda dava para produzir energia durante uns belos tempos...Não, meus caros, não pensem que estou com um instinto pirómano a tomar conta de mim, até porque quem brinca com o fogo faz xixi na cama à noite, e segundo a minha querida mãe, não é só teoria mas sim bem verdade. Ou será que era perguiça para acordar e ir à casa-de-banho a meio da noite?! Se ao menos estivesse eu nessa altura a sonhar em apagar a tocha olímpica em memória dos tibetanos, a coisa até era capaz de resultar bem e iria ser um enorme contributo para o meu bem-estar e consequente alívio do peso líquido excedentário do aparelho urinário. Infelizmente, e uma vez que já lá vão largos anos, não vos consigo precisar qual seria o verdadeiro motivo pelo qual se soltavam essas gotinhas. E por falar em gotinhas, essa tocha olímpica é à prova de tudo, inclusivé de água!! Ainda me lembro do pau aceso debaixo de água, na barreira de corais, a propósito do seu trajecto para Sidney nos Jogos Olímpicos de 2000...e se nessa altura a tocha não apagou, não seriam as gotinhas de chuva londrina no mês passado que iriam apagá-la! Eu ainda cheguei a pensar que seria melhor chamar um daqueles Bombardier de combate aos fogos, mas houve um jovem mais afoito que se antecipou e resolveu a coisa com um extintor. E foi vê-lo, com aquela expressão facial de John Rambo, a fazer justiça pelas próprias mãos, a manejar a mangueira e respectiva agulha do extintor de pó químico como se não houvesse amanhã! Claro que segundos depois mais ninguém consegui ver o homem, pois sobre ele cairam uma data de chinocas vestidos de igual, envergando um fato de treino branquinho e de óculos escuros, ao qual se juntaram alguns polícias que faziam a segurança ao longo do trajecto. O certo é que depois a coitada perdeu o pio em Paris, pois segundo dizem os responsáveis, por "razões técnicas" a chama apagou-se, e cancelaram cerca de 28Km do trajecto previsto. Depois, tentaram escondê-la dos olhares indiscretos no outro lado do Atlântico, não fosse o Bin Laden enfiar um Boeing 747 pela chama olímpica adentro, o que se calhar até nem era mau pensado para iniciar a tal acção de incineração dos chinocas...Agora parece que a tocha já está a jogar em casa, e que ninguém se atreva a aproximar-se da chama, nem que seja para acender um cigarro! Será logo incisiva e compulsivamente convidado a deixar de fumar da pior maneira possível, como por exemplo, cortando a cabeça...o que diga-se de passagem seria uma forma original e com enorme potencial para manter um certo equilíbrio populacional, pese embora se tratasse de uma medida extraordinária visto que os Jogos Olímpicos realizam-se de 4 em 4 anos e nem sempre é num país tão simpático como a China. Proponho que após Londres 2012, os Jogos se realizem, por exemplo, no Irão, no Paquistão ou até mesmo no Afeganistão...até parece que já estou a ver os atletas dos países ocidentais voar para as medalhas, literalmente...até porque o espírito olímpico tem como lema "mais rápido, mais alto, mais forte"!!
Logo, bastará um fogachozito para dar mais animação às coisas, que é como quem diz, dá-me lume...se queres ver!

E a pergunta do dia é: O que faz o Noody na praia?

quarta-feira, abril 02, 2008

O que é realmente importante?!

Dou por mim a ler notícias banais de escândalos, mortes, acidentes, etc. Ocorre-me emitir um vocábulo digno de mais um que fica chocado com a barbaridade a que assistiu mas não esboça qualquer espécie de acção. Mas não, não o emitirei e também não fico indiferente. Limito-me a reflectir sobre isto, tendo consciência que a conclusão a que irei chegar é obviamente restrita aos poucos conhecimentos que possuo, mas ainda assim, um exercício de reflexão é sempre de louvar.

O que é mais importante, "o todo"? Ou "a parte"?

A resposta óbvia que me salta à cabeça é o todo! Faz sentido, "o todo" implica um resultado final de um conjunto de acções, de eventos, acontecimentos... enfim, de várias partes. Se pensarmos em termos de gestão, sempre que se planeia algo, existe um determinado objectivo que só é cumprido caso se cumpram muitas metas intermédias. Mas o fulcral aqui é que nem sempre as partes têm de ser cumpridas para que o objectivo final, "o todo", seja realizado. Não sei se isto faz sentido para todos, mas para mim parece óbvio. No entanto, todos nós, como seres sociais que somos esquecemos esta conclusão óbvia e limitamo-nos a viver o momento, o célebre carpe diem, ou então limitamo-nos a resolver satisfatoriamente as questões que nos surgem no dia-a-dia sem sequer pensar nas implicações futuras. Aos poucos vamos comprometendo a sociedade futura. Não tenham ilusões o problema não vem do "dá-me o telemóvel já!", ele já vem de momentos anteriores, só que agora temos que aplicar medidas correctivas com efeitos retroactivos, o que nem sempre resulta bem e voltamos a comprometer algo mais no futuro. O chamado "efeito borboleta"!

terça-feira, março 25, 2008

Eu não disse que isto não ia correr bem?!

Caríssimos BASAticos...voltamos a ter 3 leitores: Femme Fatale, Soler, e um misterioso ateu (graças a Deus) Barrabás. Estamos novamente nos píncaros...no Evereste da blogosfera...na Silicon Valley cibernética...e por aí fora...
Apesar de este ser um assinalável precalço no decorrer de 2008, eu diria que já este ano assisti a outros piores, e curiosamente ambos ao nível musical.
Felizmente, os dois tristes acontecimentos tiveram lugar há uns dias atrás no Pavilhão Atlântico, e esperemos não que ter que vaticinar novas desgraças lá para Junho ou Julho...

Bem, a escolha é difícil...quem criticar primeiro?! O grandioso Tony Carreira, ou os recém-chegados à cena musical Tokio Hotel?
Eu diria que a idade é um posto, e visto que o que é nacional é bom, vamos lá a isto Tony!!

Desenganem-se aqueles que esperam que eu critique os artistas em causa, pois esses representam os seus papéis e ganham o dinheiro deles porque os fãs, por algum motivo racional ou irracional, os motivam a compor as músicas e letras que aquele público deseja ouvir.

Ora eu tive oportunidade de passar em redor do Pavilhão Atlântico na tarde em que o nosso artista português ia actuar pelo segundo dia consecutivo, e tive oportunidade de constatar um fenómeno muito curioso, e simultaneamente, intrigante...
De um lado, um grupo de jovens enrolados em cobertores, papelões e muito animados a ensaiar as músicas dos Tokio Hotel. A média de idades não deveria ultrapassar os 15 anos, e fiquei na dúvida para saber há quanto já durava aquele triste espectáculo, de quem se sacrifica daquela forma para chegar mais perto do palco.
Do outro lado, já visivelmente cansados, de pé e na fila para entrar, estava uma multidão para assistir ao concerto do romântico Tony Carreira. A média de idades neste caso já é mais difícil de avaliar, pois este artista arrasta público de todos os estratos e condições sociais...eu diria que merece um mestrado para estudar a fundo este fenómeno musical. No centro comercial Vasco da Gama, ainda permaneciam algumas centenas de fãs, devidamente aperaltadas e equipadas com merchandising oficial e outro tanto improvisado, para assistir ao espectáculo.

O elemento comum era sem dúvida a histeria e tensão que se sentia...e o que aconteceu?! Num dia, muita mulher feliz com o concerto romântico, e no outro, muita maquilhagem borrada e vidas destroçadas aos 15 anos com o cancelamento do concerto dos Tokio "ATL".
Então e agora?!
Cancela-se assim um concerto sem mais nem menos?!
Diz que está previsto o concerto lá para Junho ou Julho, mas...
E aquelas miúdas que cortaram os pulsos após a notícia do cancelamento?
E aquelas miúdas que fugiram de casa dois dias antes para ver o concerto? Será que vão fugir novamente?
E aquelas que gastaram dinheiro em cursos de alemão para conseguir articular um Ich liebe dich?
E aquelas que terão exames escolares nessa altura e não vão poder assistir ao concerto?

Houve uma até que disse às câmaras de televisão..."Pai, tu não querias que eu viesse, mas aqui estou!"...eu que dissesse isso ao meu pai, e ficava ali a dormir enrolado naqueles cobertores até o Verão!!

Faço um apelo aos senhores Bob Dylan, Neil Young e James Hetfield para preservarem as respectivas vozes até Junho e Julho.
É que já ensaiei todas as músicas deles, e já comprei umas cuecas bem absorventes, não vá eu soltar uma pinguinha ou outra com a emoção do concerto.

Só nessa altura é que o ano de 2008 não pode correr mal...se Deus quiser!

Ah pois é...ainda sou ateu, mas não sou parvo!
Não custa nada ser um pouco cínico e pedir ajuda quando convém...

PS: não é curioso que a Igreja não tenha considerado a homossexualidade como um pecado capital?

quinta-feira, março 13, 2008

2008...isto não vai correr nada bem! (parte II)

Olá a todos, que é como quem diz, à menina Femme Fatale e ao amigo Soler, os nossos dois atentos leitores deste humilde espaço blogosférico. Longe vão os tempos em que o Capitão Borboto também mandou um ou outro bitaite por aqui, mas...tudo o que é bom, acaba depressa.

Os tempos e as vontades mudam de acordo com as tendências, e até a Igreja católica já veio acrescentar mais uns pecados mortais além dos 7 que já existiam! Além disso, estão previstas algumas alterações nas homilias, como por exemplo:
- missas em formato express com a duração de 10 minutos
- o discurso do padre terá que se resumir a assuntos do evangelho
- a hóstia terá obrigatoriamente que ser dada directamente na boca e não na mão do fiel (será que não há condições para denunciar à ASAE, reivindicando que as hóstias devem ser servidas num saco de plástico asséptico, ao mesmo tempo que o padre serve as hóstias com uma luva de borracha higienizada??)


Ao que parece, para além dos pecados originais da Gula, Luxúria, Avareza, Ira, Soberba, Vaidade e Preguiça, há ainda a acrescentar os seguintes:

1. Manipulação Genética
Se o receio é com a clonagem, acho muito bem que isso seja um pecado capital!
Já viram o que seria de nós se isto andasse infestado de clones do Papa Bento XVI?!

2. Uso de drogas
Sem comentários...andaram eles a fumá-las para inventar estes novos pecados capitais!
Quer dizer, até vou comentar...se não fossem as drogas legalmente instituídas e vendidas em cápsulas, drageias, pó, injectáveis ou outra qualquer forma de aplicação, metade da Humanidade estava moribunda ou já mesmo dizimada. E eu arrisco-me a dizer que estas legais até são capazes de provocar mais conflitos sociais e económicos que as outras ilícitas, com a simples diferença de que umas têm um circuito comercial próprio, e as outras têm um circuito alternativo e que escapa aos impostos...

3. Desigualdade social
Ahhh...fico tão contente por saber que os membros da Igreja Católica promovem a igualdade social, especialmente quando renegam todos aqueles que assumem usar preservativo. Curioso é saber também que o Papa Bento XVI e respectiva corja que gravita em redor dele vive num opulente luxo. Muito estes senhores terão que rezar para limpar a sua folha de novos pecados...

4. Poluição ambiental
Acho muito bem!!
Vamos todos converter os chineses e os americanos à profecia Católica Romana para ver se isto ainda tem solução. Afinal de contas, em matéria de poluição ambiental, esses são mesmo os piores. A Patagónia, a Antártida, o Círculo Polar Ártico e todas as populações costeiras do Mundo inteiro agradecem!
Acho que Jesus Cristo ainda vem de novo à Terra vestido de Captain Planet...

5. Causar pobreza
6. Tornar-se extremamente rico
Junto estes dois, porque os iluminados não tiveram imaginação para mais. Ainda dava para juntar a Desigualdade Social, mas por agora passa...
Vamos todos fazer parte da classe média. E já agora, quem já é extremamente rico, tem perdão?
Se calhar Jesus Cristo também vem de novo à Terra no papel de Robin dos Bosques...


Perante tudo isto, só me apetece dizer...ainda sou ateu, graças a Deus...

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

2008...isto não vai correr nada bem! (parte I)

Caros leitores BASAticos...é com enorme prazer que vos saúdo pelo novo ano. Bem sei que já estamos em Fevereiro, mas nunca é tarde para personificar um arauto da desgraça e fazer algumas previsões para o ano que se iniciou (há um mês atrás). Ora de acordo com o meu baralho de cartas comprado em segunda mão à Maya, tenho a revelar-vos o seguinte:

SAÚDE:
- Muitos portugueses deixaram de fumar com a entrada em vigor da nova lei do tabaco (também conhecida como Lei nº 37/2007 de 14 de Agosto). Curioso é que muitos outros começaram a fumar mais à porta dos centros comerciais e edifícios de escritórios, não esquecendo a esperteza saloia de se refugiar nos cubículos das casas-de-banho para fumar o seu cigarrinho...

- É proibido adoecer durante a noite, especialmente se viver no interior do país!! Diz-se que em urgência num socorro a um AVC, os primeiros 5 minutos são de ouro, os seguintes 3 são de prata, os seguintes 2 são de bronze, e o resto...enfim...é vegetal na certa. Se calhar o Ministério da Saúde deveria ponderar a contratação de atletas como Francis Obikwelu, ou Nelson Évora, Naide Gomes ou mesmo a Vanessa Fernandes.

- O Governo deveria colocar ao serviço do cidadão uma nova linha de apoio psicológico para todos aqueles que sofrem com as medidas adoptadas nas decisões governamentais. Claro que essa chamada seria de valor acrescentado, e a remeter para um call center deslocalizado para o Paquistão ou Afeganistão. O diálogo seria qualquer coisa do género:
- Estou sim? Estou a falar para a linha APAVítimaGOV?
- Está sim...em que posso ser útil?
- Olhe...estou muito deprimido porque a ASAE e o Infarmed decidiram retirar o mítico Quitoso o mercado!! Isto é gravíssimo e altamente restritor das liberdades individuais do cidadão!!
- Mas não prefere antes rapar o cabelo? Se preferir uma burka, até podemos alugar uma por um preço bem convidativo, e ainda recebe de bónus uma AK-47 de 1985 pronta a estrear...
- Não!! Já tomei a minha decisão. Vou cometer um acto terrível que vai abalar a vida de milhares de cidadãos!
- Queira desculpar-me caro amigo, mas os lugares disponíveis para a Administração do MillenniumBCP e da CGD já estão preenchidos. Não prefere antes um acto menos terrível? Por exemplo...ora deixe cá consultar o ficheiro...Olhe, ainda vai a tempo para o Metro de Barcelona.
- Se não se importar, eu preferia antes algo à superfície. É que o Governo retirou-me a comparticipação dos medicamentos da bronquite asmática e além disso sofro de claustrofobia. Já agora, não tem por aí um camiãozito que eu possa estoirar algures?
- Tomei a liberdade de pensar nisso senhor. Receberá então o seu formulário de inscrição por correio, que deverá ser devolvido juntamente com o donativo para a nossa causa. Muito obrigado e disponha!

Por agora é tudo...vou ali à porta fumar um cigarrinho e lançar uns búzios para ver as previsões do DINHEIRO...
(como está de chuva, se calhar vou mesmo fumar para a casa-de-banho)

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Curiosidades da quadra natalícia...(parte II)

Como havia prometido no post anterior, aqui vai a curiosidade nº2 deste mês natalício.

Faço um preâmbulo para confessar que não se trata de uma criatividade assinada por mim, mas sim inspirada num daqueles mails que circulam pela internet, cujo objectivo é aumentar tráfego de dados e reduzir a produtividade laboral...isto para não falar no facto daqueles avisos comuns do "envia este mail para 500 pessoas, caso contrário, se vives na zona do Porto e sais à noite, alguém vai dar-te um tiro na cabeça".
Então o título desse espectaculástico (espectacular+fantástico) era o seguinte: Rainhas Magas. Comecei logo por suspeitar que o seu conteúdo seria um slideshow de senhoras envergando lingeries insinuantes, com glândulas mamárias bem desenvolvidas à custa de material plástico, e em poses provocantes numa pura demonstração da sua elasticidade, ou seja, gajas mesmo boas e capazes de levantar um morto ou um idoso quase-morto.
Nada mais errado que isso!
Até porque essa suspeita dissipou-se de imediato assim que vi a proveniência desse mail, a não ser que essa minha amiga quisesse ter a amabilidade de me deixar bem disposto nesse dia, ou então se quisesse realmente confessar que tinha os mesmos gostos que eu (o que não me parece ser propriamente o caso dela...).
Posto isto, lá fui espreitar o conteúdo do mail, e constatei que era o típico mail, com uma apresentação em powerpoint, e que começa com a dúvida:
E se em vez de Reis Magos, tivessem sido Rainhas Magas?
Muito pertinente esta questão...e começam logo por dar as respostas que passo a citar:
- Elas não se teriam perdido
- Teriam chegado na hora certa
- Teriam ajudado no parto
- Teriam limpado o estábulo
- Teriam levado presentes "úteis"
- Teriam levado qualquer coisa para comer

Como é óbvio, estes conjunto de acusações implícitas de teor femininistas são muito pouco consistentes, pois tratando-se de Rainhas, elas não iriam mexer uma palha para limpar nada, nem teriam sujado as mãos para ajudar no parto.
Quanto ao chegar a horas e ao facto de não se teriam perdido, acho que nem será preciso comentar!! Basta ter em conta o sentido de orientação das mulheres e os seus frequentes (pequenos) atrasos...
Em relação aos presentes "úteis"...como é que alguém que segue o brilho de uma estrela adivinha logo que vai assistir a um parto e leva um pacote de fraldas?!

E para provar que a melhor opção na história seriam mesmo os Reis Magos, há a segunda parte do mail, que diz o seguinte: logo após a partida das Rainhas Magas...
E segue-se um rol de comentários típicos, claramente femininos e perfeitamente denunciadores da inveja que por vezes as caracteriza. E aqui estão os comentários:
- Repararam que as sandálias da Maria não combinavam nada com a túnica?
- O menino não se parece nada com o José...
- Como é que eles aguentam viver com aqueles animais todos em casa?
- Espero que eles me devolvam o tupperware onde eu levei a comida que ofereci!
- Virgem?! Não me façam rir!! Eu conheço bem a Maria desde os tempos da faculdade!

Perante isto, a grande conclusão é que no caso dos Reis Magos, apesar do atraso conveniente (espertos...eu no lugar deles também não queria assistir ao parto!), apesar de não terem mexido uma palha para limpar o estábulo, e apesar de não terem levado nada para comer, sempre deixaram lá uns presentinhos catitas. Para além do valioso Ouro (que dá sempre jeito...) a Mirra e o Incenso não foram assim tão inúteis! Para quem não sabe, a resina da Mirra é usada na preparação de medicamentos pelas propriedades anti-sépticas que possui, pelo que a parte das limpezas já poderia ficar assim resolvida. Já o Incenso, serviria para aromatizar o ambiente e afastar os insectos. Agora será que foram assim tão inúteis os presentes deles?!
E claro está, assim que eles se fossem embora, os comentários seriam do género:
- A Maria estava bem boa...nem parecia que tinha tido o puto!
- O miúdo até tem piada...fartou-se de mijar e peidar...
- Que pila é que o José tem para ter cometido esta proeza de engravidá-la virgem?
- Agora que tal ir a um bar tomar umas bejecas e deixá-los em paz? Pago eu a primeira...

Conclusão: cada macaco com o seu galho, cada minhoca no seu buraco, cada boca no seu trombone!! Nada de confusões...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Curiosidades da quadra natalícia...

Caríssimos leitores desta rubrica blogosférica...sejam bem vindos!

Agora que até está na moda andar por aí a falar do Natal, do menino Jesus e tal, vamos então contextualizar-nos um pouco e debater o assunto, agora que o tal da Líbia já se foi com a sua guarda real que lhe foi armar a tenda em pleno forte de S. Julião da Barra!!
Vejam lá bem se aquilo é sítio para ir armar a tenda e enfiar uma catrafada de camelos...

Mas voltando ao tema do Natal, vamos lá à curiosidade nº 1 deste mês natalício:


Ficamos então a saber que a função do apóstrofo é fazer companhia a Jesus nas suas refeições. Enquanto dura o belo repasto, Michelângelo vai registando fotograficamente todos os momentos mais marcantes da referida "jantinha"
Perante isto, atrevo-me a cometer a heresia de fazer uma piada religiosa. Bem sei que é um número arriscado, mas aqui vai...
Será que na mente deste jovem equivocado, os católicos apostólicos romanos passaram a designar-se por castólicos apóstrólicos românticos?

segunda-feira, novembro 12, 2007

Resposta ao desafio # 1_v.1.2

Lançando-me nos braços do desconhecido, resolvi aceitar o desafio proposto pela Mik@, que nos foi passado pela Kitty e que o Madeiras ainda fez questão de colocar os restantes membros ao barulho. Ou seja, vou responder a um desafio, ao que parece, proposto por muitas personalidades da comunidade blogoesférica, portanto deve ser algo ponderado levado com extremo interesse e dedicação.

Ao contrário do Madeiras, não vou utilizar afirmações surreais de outrém, pois eu interpreto este desafio como feito directamente à nossa capacidade de sermos surreais em escrita.
Longe de ser um mestre do surrealismo, tentarei dar uma pequena contribuição:

- Eu já passei na IC19 sem ver um único carro

- A série MacGyver não passou de uma enorme campanha publicitária ao Canivete Suiço

- O peixe aranha foi o principal responsável pela queda da ponte de Entre-os-Rios

- Começa a ser engraçado encontrar cada vez mais pessoas que preferem dizer "lol" em vez de se rirem normalmente

- Os filmes de Manoel de Oliveira são repletos de acção estonteante

Bom, agora que vejo bem as minhas afirmações, serão elas assim tão surreais?!

Resposta ao Desafio #1

Olá a todos os ilustres, corajosos e pacientes leitores deste humilde espaço blogosférico.

O post de hoje resulta de um desafio proposto pela gata Kitty, que por sua vez aceitou o desafio da gata Mik@, que por sua vez deve ter aceitado o desafio de outra pessoa, e por aí adiante...O desafio consiste em escrever 5 afirmações surreais.

Feito este preâmbulo, e contrariamente ao habitual, este post não visa satirizar com humor e de forma irónica nenhuma figura pública relevante ou que seja merecedora da nossa atenção...

E perante isto, cá estão as afirmações surreais:

1. "Não é a poluição que ameaça o ambiente, são as impurezas do ar e da água."

2. "Já é tempo de a raça humana entrar no sistema solar."

3. "Já falei com Vicente Fox, o novo presidente do México, para mandar petróleo para os Estados Unidos. Assim não dependeremos do petróleo estrangeiro."

4. "Vocês também têm negros?" (*)

5. "Muitas das nossas importações vêm de fora."

(*) Comentário feito directamente ao presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, a propósito de uma visita oficial ao Brasil em 2002


Aproveito então para colocar o mesmo desafio aos membros do BASA, bem como a todos os nossos leitores que possuem um blog.
Fico à espera do Desafio #2...

quarta-feira, novembro 07, 2007

Ah, este belo Outono...

Aqui vai um pequeno post para desenjoar e secar as lágrimas vertidas...não me levem a mal os acérrimos defensores dos últimos dois episódios da saga ultra-romântica da autoria de Hans Christian Parrachanderson, que promete aquecer ainda mais os corações mais gélidos que por aí deambulam...

E por falar em gélido, aqui estamos nós, em pleno Novembro, a reclamar por não termos tido um Verão de jeito!!! É preciso ter lata!!

Já se vêem em alguns sítios algumas decorações de Natal...já se vêem as loiraças espanpanantes com as raposas mortas ao pescoço...já se anunciam as lotarias de Natal nas ruas da Baixa...até já escurece mais cedo!!
Mas o certo é que ainda se ouve falar de fogos florestais, de temperaturas elevadas para a época e os arautos da desgraça já vaticinam até que haverá seca na próxima Primavera e que o Benfica não será campeão!

E perante tudo isto, meus amigos, a dúvida que se coloca é que castanhas iremos comprar...e a pergunta se impõe é: que pregão irá o homem utilizar? Será um fantástico e inovador...Boas e quentes?!
É que tendo em conta o Verão de S. Martinho que já estamos a viver desde final de Setembro, e a perspectivar-se a aparição do Pai Natal numa fatiota composta por chinelinho de enfiar no dedo, calção às flores e uma camisolinha de alças, acho melhor inverter-se o conteúdo da mensagem e pôr as Boas à frente, como qualquer bom comerciante. Agora se são quentes ou não, tendo em conta o "frio" que se faz sentir, já não é muito relevante...

Venham daí as sardinhas e o manjerico que vou já para Alfama festejar o Santo António!!!
Uuuuhhhhhuuuu!!!

terça-feira, novembro 06, 2007

Ensaio: O momento em que tudo pára

Está um frio gélido, olhando para a luz das ruas observo a humidade no ar, o orvalho bailando suavemente ao sabor da brisa da frente fria que aos poucos e poucos se instala por cá. Veio para ficar. Mas eu pelo contrário, sinto-me encalorado, como se estivesse enrolado num toalhão turco enquanto faço uma sauna seca, o calor cerca-me, entranha-se-me na pele, deixa a minha respiração pesada. Mas não é desconfortável, bem pelo contrário, é mais uma sensação de aconchego. Sinto um leve toque, um movimento espásmico dos meus músculos abdominais revela uma reacção instintiva a esse acto inesperado... hum... nem por isso, era mesmo aguardado e com considerável entusiasmo. Olhando o vidro da janela, como quem não olha para além desta, encontrei-te. Linda. O teu ar, o olhar, o subir das tuas mãos demoradamente afagando suavemente o meu peito, disse tudo. Virei-me para ti e encontrei a escuridão, uma escuridão repleta de cores, de sensações, arrepiantes, doces e ao mesmo tempo indescritíveis enquanto nos beijávamos. Coloquei as minhas mãos sobre a tua cintura, reagiste de imediato, vindo ao meu encontro, contorceste-te, aproximaste-te do meu ouvido e entre beijos e carícias senti a tua respiração, como se recita-se um poema, um feitiço que me fazia percorrer a tua pele macia, a ferver mas, estranhamente, longe de queimar. O teu perfume transformara-se no teu cheiro, inconfundível e inebriante. Sentia-me enlouquecer, a adrenalina a preencher-me, a responder ao feitiço, controlava os meus movimentos, sincronizados com os teus, como se agora fossemos particulas de humidade que bailam ao sabor da brisa de uma frente quente. Com o intensificar do bailado, tu oscilavas de costas junto a mim, com o teu braço a abraçar-me, a tua mão apoiada na minha nuca, cravava com suavidade os dedos por entre os meus cabelos. Eu percorria incansavelmente o teu corpo, como uma criança perdida numa busca desenfreada por algo que a acalme, sem me deter prolongadamente, retirava o máximo de sensações que a limitação do meu tacto permitia. O mundo lá fora, parado. Nada mais existe. Só este momento, esta explosão dos sentidos que se aproxima, concentra em si todas as energias que os nossos corpos recepcionaram ao longo do dia. Um geiser termal abate-se sobre nós. Os nossos corpos, até então fervorosos, descambam numa tentativa de se arrefecerem e quedam-se pelo conforto da cama. Após um banho reconfortante, ouço a porta de casa fechar. Deitado na direcção da janela, observo novamente a humidade... Arrefeceu entretanto!

sexta-feira, novembro 02, 2007

Ensaio: O inevitável

Marcámos para as 13h, como sempre ela pediu-me para ser pontual e eu na minha eterna ingenuidade continuo a sair de casa apenas 30 min antes da hora marcada. Já estou atrasado, atensão arterial aumenta um pouco, os suores frios preenchem-me a testa, os outros condutores parecem congeminar um plano cuidadosamente, quase a uma escala universal, para que eu não consiga amenizar o atraso. Como se isso fosse possível... se já estou atrasado, não há volta a dar!
Finalmente chego a casa dela, corro para a cumprimentar. O seu olhar revela um misto de indiferença e lamento. Não era bem este tipo de olhar que esperava encontrar, mas dentro do que era espectável, também não é bom sinal. Beijamo-nos, sinto um arrepio gélido como se tivesse acabado de trincar um gelado de água, isto é deveras estranho.
Já fazia alguns dias que não nos víamos, eu estava com alguma ansiedade por sentir novamente o calor dos seus lábios, o aperto forte com que costumava presentear-me e as promessas segredadas ao ouvido. Mas algo nela estava diferente. O olhar. O beijo. A sua mão suada e pouco à vontade ao sentir o toque da minha, parecia que se estranhavam, como se a sua pele rejeita-se esse enxerto que eu teimava em lhe colocar por entre os dedos.
Fomos almoçar a um dos seus locais de eleição, eu também gostava, mas não com o mesmo grau de entusiasmo. Começámos a conversar, temas banais de um casal que já se conhece há algum tempo e relata ao seu par as novidades que lhe possam interessar. Foi então que surgiu o "precisava mesmo de falar contigo", num dia normal seria mais uma coisa banal, um problema que necessita-se da atenção mais cuidada do "namorado", mas nada de especial, no entanto hoje o dia não me parecia nada normal.
Sentia-me como que no fundo de um poço, com os ouvidos meio submersos, o som que ela emitia chegava-me abafado, quase ináudivel, não conseguia discernir com exactidão toda a informação que ela me queria passar. Não conseguia... ou não queria. As minhas mão já tinham largado as suas. Porquê?!
O meu olhar deambulava pela sala, observava o prato de um casal à direita, observava um jovem executivo a atravessar a rua ainda com o semáforo vermelho e olhava novamente para as minhas mãos, inquietas, a mexer nos talheres sem qualquer objectivo. Não conseguia suster a perna esquerda, constantemente a subir e descer apoiada apenas nos dedos e na parte dianteira do peito do pé. Porquê?!
Ela esforçava-se por segurar as minhas mãos, por me fazer olhar para ela, para que dissesse alguma coisa. Porquê?!
O nosso pedido chegou, os talheres quebraram o silêncio que subitamente se havia instalado, no entanto o som parecia algo amorfo, como se estivesse enclausurado num frasco fechado sobre o efeito de vácuo. O meu olhar, vidrado, contemplava o prato. Cada pedaço do bife, com o meu molhe preferido, parecia um bocado de serradura seca, sem sabor, ou de sabor desagradável. Porquê?!
Quando acabámos, os nossos olhares voltaram a reencontrar-se, o seu parecia agora um misto de lamento e de suplica, como que a pedir-me "fala! diz qualquer coisa!". Não falei. não sabia o que... Porquê?!
Despedimo-nos como dois conhecidos que haviam esgotado o parco tema de conversa. A viagem de volta a casa pareceu-me nem ter ocorrido, totalmente absorto em pensamentos dou por mim a ver-me ao espelho. Pareço mais velho, stressado e perdido. O meu olhar apenas deixa transparecer uma sensação de vazio. Porquê?!
Porque gosto eu tanto desse teu travo... amargo... a tudo o que me é mortal?!

segunda-feira, julho 16, 2007

Ensaio: O dia seguinte

Acordo com um berro. Uaaaaauuuu! James Brown canta na minha cabeça, “i feel good” diz ele. E realmente... sinto-me bem disposto, a claridade do sol de meio-dia irrompe pela janela e aquece o meu corpo. O barulho dos carros a passar num frenesim em direcção à praia parece um canto de pássaros a lembrar-me que é Verão.
Fecho os olhos, o chilrear desses pássaros mecânicos vai esmorecendo e lentamente vou sentindo novamente a tua essência, doce mas ao mesmo tempo suficientemente fresca, como uma brisa de verão logo pela manhã. O toque da tua pele vem à flor dos meus sentidos como os salpicos de um cabelo, molhado pelo mar, nas costas de um jovem adormecido ao sol. Relembro a sensação de butterflies in my stomach que senti cada vez que entrelaçavas os meus braços na tua cintura e fazias um maravilhoso swing de ancas comigo.
Recordar as piadas inventadas, as observações um pouco mais mordazes e o arrepiar da pele de cada vez que te aproximavas para me segredar ao ouvido deixa-me com um sorriso parvo, como que a dizer: “Estou feliz, não sei bem porquê, mas estou feliz!”
Queria ter-te beijado, sentir o doce dos teus lábios a acariciar os meus, tomar-te em meus braços e deixar que o calor dentro de mim (nós?!) segurasse as rédeas.Mas isso não aconteceu, ainda que o quisesse e chegasse mesmo a equacionar se também o querias.
Vou-me inteirando então de que provavelmente estive a noite toda no papel de uma personagem de um qualquer filme romântico de Domingo à tarde, filme esse em que não só era o personagem principal como também o argumentista, que num devaneio causado pelo enebriante ambiente se deixou levar na emoção de uma história ficcional mais apelativa que a sua realidade.

segunda-feira, junho 25, 2007

Haja saudinha...e da boa!!

Caros leitores e ilustres membros da ABA (Associação dos BASAticos Anónimos), aqui estou para atirar umas farpas ao sistema de saúde de um país moderno e dito civilizado, e outras ao sistema de saúde de um país moderno e dito civilizado!

Confusos? Eu explico.

Começo por apresentar alguns exemplos do que se pode encontrar nesse determinado país moderno e dito civilizado:
1. Um homem que acidentalmente cortou a cabeça de dois dedos ao manobrar uma serra eléctrica, teve de optar pelo dedo que queria ver reconstituído, pois o seu seguro não cobria as duas cirurgias!
2. Uma rapariga foi vítima de um acidente automóvel, ficou inconsciente, e só acordou na cama de hospital. A seguradora recusou-se a cobrir as despesas hospitalares, justificando que a jovem não informou a sua seguradora de que necessitava de ser socorrida.
3. Uma mulher de 22 anos teve um cancro, mas a sua seguradora recusou-se a pagar as despesas de tratamento por considerar que não é normal ter cancro nessa idade.

Agora, apresento alguns exemplos do que se pode encontrar no outro determinado país moderno e dito civilizado:
1. Multiplicam-se os casos de partos ocorridos em plenas auto-estradas, pois as mulheres grávidas não têm na sua área de residência uma maternidade ou hospital com serviço de obstetria a funcionar.
2. Pessoas morrem em plenas auto-estradas, vítimas de paragens cardio-respiratórias, uma vez que o Serviço de Atendimento Permanente da sua área de residência foi encerrado e as pessoas têm de ser transportadas para as urgências mais próximas.
3. Cidadãos de um país que procuram atendimento médico no país vizinho, pois lá são melhor e mais rapidamente atendidos, em alguns casos, sendo mais económico já com deslocação incluída.

Nunca se sabe quando a ambulância poderá ter uma avaria mecânica a caminho do hospital, e a seguradora não pega por não ter sido previamente avisada. Entretanto a senhora morre de ataque cardíaco, fatalidade essa que não está prevista acontecer naquela idade, e muito menos em plena auto-estrada, pelo que a seguradora se recusa ao pagamento de indemnizações.

Moral da história: vamos todos viver numa grande cidade, ter dinheiro e ler bem o contrato do seguro de saúde antes de pensar ter um acidente, ficar doente ou mesmo engravidar!

E claro está, ter saudinha...e da boa!! Mas daquela mesmo, mesmo, mesmo boa!!

sexta-feira, junho 15, 2007

Luta a sério...é mesmo com elas!!

Já repararam bem nas figuras ridículas que as pessoas fazem quando andam à pancada?!
Eles, homens, que se acham muito machos e insistem em salvar a sua honra através de uma bela sessão de pugilato, acabam por ser bem piores que elas, mulheres, quando estas também optam por este método tradicionalmente másculo de resolver os diferendos. Passo a explicar...

Estava eu a passear na noite de Santo António, ali por um dos becos de Alfama, quando subitamente vi um jovem no chão, a contar as pedras da calçada sob um forte incentivo da biqueira de uma bota de um indivíduo mal encarado. Obviamente tal cena perturbou a minha lucidez, ou falta dela, visto que ainda demorei uns segundos a associar as coisas...
Quando dei por mim, já via mais uns jovens a defender a posição do contador das pedras da calçada, dizendo que ele tinha razão e tal, e que o jovem da bota engraxada não tinha razão nenhuma para duvidar que as contas estavam certas. Testemunhas oculares mais atentas afirmam que houve tentativa de agressão quando o contador de pedras mordeu a biqueira da bota engraxada...Eu não vi nada. Estava de mãos nos bolsos e assobiar para o lado.

Visto que aquilo parecia estar para durar, e o contador não parecia ter vontade de fazer novamente as contas de cabeça (que é como quem diz, em cada pedra, um toque de cabeça), encostei-me a um canto e limitei-me a observar...e o que assisti, foi deveras surpreendente.

Não é que estes rapazolas, no desenrolar destas contendas, assumem comportamentos estranhos, pouco típicos de machões que querem eles fazer transparecer?! Senão vejamos...

- Trocam aqueles olhares, fixamente, olhos nos olhos...
- Gesticulam com os indicadores e chamam um pelo outro...
- Mordem os lábios e alguns até colocam a língua de fora...
- Empinam-se todos de peito para fora...
- Ficam ruborizados com a emoção...

Eu diria que isto é, no mínimo, muito suspeito. Parece mais um casalinho de namorados apaixonados a trocar carinhos, do que propriamente dois homens em luta corporal.


Já as mulheres, quando se trata de resolver os diferendos de forma mais viril (e não à homem), cerram os punhos, fecham os olhos, e vai de distribuir "fruta" para toda a gente, ainda que corram o risco de ficar sem um belo punhado de cabelos e a roupa toda desajeitada.
Isto sim, é que é luta a sério!!

segunda-feira, maio 21, 2007

Ensaio sobre uma troca de olhares.


Luto por me manter à tona...
no entanto, a corrente arrasta-me impiedosamente como que insatisfeita por não sucumbir diante das suas investidas.
Não sei como aqui vim parar, porém a frieza áspera e aguçada das rochas mantém-me consciente de que nada é mais importante do que concentrar-me neste momento, naquilo por que estou a passar. Os pensamentos vagueiam, não o consigo evitar, mesmo que por vezes sejam dilacerados pela dor alucinante de um rasgão directo no coração.
Coração?! O meu coração?! Será que?!...
Não. Está normal. Um pouco alterado, mas sem sinais de rasgões visíveis. O meu corpo seco. Levanto novamente a cabeça, um pouco mais descansado, e eis que me encontro novamente num rápido. Desta feita a corrente ficou ainda mais forte, mais intensa. Os obstáculos aglomeram-se deixando a passagem cada vez mais estreita, a dor regressa e com ela a incapacidade de me manter à tona. Respiro da forma mais profunda que consigo sempre que volto à superfície, mas é cada vez mais difícil, o peso no peito, do cansaço e da falta de oxigénio torna cada vez mais claro o final deste percurso. Vejo as árvores a passarem num frenesim, os seus galhos a dançar suavemente em jeito de despedida. O murmúrio da água lembra um riso que cedo se transforma numa gargalhada... uma cascata aproxima-se.
Onde estou agora?! sinto uma superfície composta por pequenas pedrinhas, tão pequenas que me escapam por entre os dedos tal como as forças me escapam enquanto luto por me levantar. O destino cruel aproxima-se, será a última vez que sinto este fantástico odor a perfume digno da mais bela das primaveras?!
Olho para a água a passar numa sensação de calmaria aparente, mas os ecos da cascata continuam bem presentes. Está na hora, saio do comboio na última estação, poucos metros me separam do local de trabalho. Olho de relance para trás e lá está ela, sorrindo para mim enquanto desaparece em direcção ao Metro. Parece contente com o estado em que me deixou...
Dificilmente esquecerei aquele olhar.

quinta-feira, maio 17, 2007

Os "maiores" portugueses

Caríssimos BASAticos,

Venho por este meio (tentar) inaugurar uma rubrica que visa retratar alguns dos "maiores" portugueses de sempre...

Na minha opinião, esta lista é claramente encabeçada pelos condutores, sejam eles de automóveis, carrinhos de compras, carrinhos de bebé ou mesmo de caricas! Todos eles se julgam os "maiores" e são vistos com grande frequência a infringir regras básicas de civismo e respeito pelos outros.
Concretizando o raciocínio que me leva a apontar os condutores como os "maiores" portugueses, faço especial destaque a um sub-grupo dos condutores que se intitula como classe taxista.

Estes são os verdadeiros "maiores" portugueses!!

Senão, vejamos alguns exemplos que conferem solidez a esta argumentação:

O taxista português detém uma cultura ímpar.
Trata-se de cultura futebolística, é certo, mas não deixa de ser cultura, e só assim poderá ele manter uma conversa de nível com os seus passageiros.

O taxista português tem uma forte orientação religiosa.
Exemplo disso é o ornamentar do carro com motivos religiosos, desde o terço pendurado no retrovisor, à imagem da Santa no tablier do carro, passando ainda pela chapinha com o seu nome colada no porta-luvas.

(Perante estes dois argumentos, creio que seria suficiente para eleger a classe taxista como os "maiores portugueses"...mas vale a pena ver mais alguns exemplos. O melhor fica sempre para o fim!)

O taxista português tem uma destreza inagualável ao volante.
Reparem bem na sua habilidade para se desviar dos peões que se encontram a atravessar uma passadeira. A destreza do taxista leva-o a desviar-se habilmente para a faixa contrária para evitar o atropelamento, pois a mecânica do carro deverá ser preservada (travões, embraiagem e caixa de velocidades). É sem dúvida de louvar este acto de elevado civismo!

O taxista português é uma pessoa de convicções fortes.
É muito raro vermos um taxista a infringir uma regra de trânsito, seja de velocidade, sinais luminosos, prioridades, traços contínuos, etc. Digamos que ele nunca se engana, e raramente tem dúvidas (como disse o outro), e perante uma situação inesperada de perda de prioridade, a solução é carregar o acelerador e vincar bem a sua posição de pessoa trabalhadora e cumpridora do seu dever. Por outro lado, é possível vê-los também muito atentos aos transeuntes que requesitam os seus serviços de transporte, respondendo de imediato com uma travagem brusca, uma guinada para a berma do passeio e sinalização com as luzes intermitentes, tudo isto com incrível habilidade e destreza. Quanto aos restantes utilizadores da via, deveriam estar mais atentos a estas manobras para evitar possíveis acidentes!

O taxista português é uma pessoa honesta e de confiança.
Assim que entramos no taxi, sabemos que o trajecto será sempre o mais curto até o destino, que o troco entregue será o devido, e perante o pedido de factura do serviço prestado, temos a garantia de que este documento fiscal terá toda a informação obrigatória por lei.

O taxista português é simpático, educado e sabe receber bem os seus clientes.
Esta conclusão resulta também da observação da sã convivência do taxista com os demais utilizadores das vias, com quem ele costuma comunicar por intermédio de gestos descritos com o seu braço esquerdo que comummente é visto a descansar fora do carro. No que diz respeito aos temas de conversa com os seus clientes, estes devem passar por futebol, família do próprio, política (é sempre bom ter uma opinião diferente da nossa...) e alguma actualidade do Correio da Manhã ou do 24Horas. Se não dominar nenhum destes assuntos, é preferível manter-se calado e ouvir quem sabe do que fala.

Posto isto, creio que não restam dúvidas sobre quem são (para mim) os "máiores" portugueses. É claro que até podem contestar esta minha análise questionando "mas será que não há maus taxistas por aí?", ao qual respondo "é possível que sim...mas...quem acredita em bruxas? Eu não...mas elas andam aí...!"

Não percam os desenvolvimentos desta interessante (ou não...!) rubrica neste cantinho da blogosfera. Um abraço a todos, e se possível, andem a pé, metro ou de autocarro...

segunda-feira, abril 16, 2007

E se a pontuação fosse escrita por extenso ponto de interrogação ponto de exclamação

Isto há dias em que me dá umas pancadas valentes e ocorreu-me fazer um pequeno exercício do que seria um breve trecho de um texto em que a pontuação fosse toda escrita por extenso ponto final É claro que este texto não pretende conter qualquer tipo de mensagem filosófica vírgula até porque eu não seria a pessoa indicada para isso ponto final O objecto deste exercício será meramente estético no sentido de aproximar algo de fantástico vírgula como é a escrita vírgula de uma imagem que tenta representar a anarquia e insurreição da pontuação face às palavras ponto final parágrafo

Para melhor ilustrar essa imagem vírgula não pensem que vou facilitar a vossa tarefa de leitores ao assinalar essa mesma pontuação vírgula era só o que faltava ponto de exclamação Eu próprio vírgula ao escrever este texto vírgula já dei por mim a voltar atrás muitas vezes para reler esta confusão ponto final E até agora limitei-me a fazer uma pontuação simples vírgula imaginem portanto se eu quisesse fazer um aparte do que estou a falar reticências abre parentesis como por exemplo escrever este aparte entre parentesis fecha parentesis Fica bonito não fica ponto de interrogação

Louvada seja a pontuação, por mais que nos custe admitir, um pouco de ordem na nossa vida é sempre essencial (ficou melhor assim, não ficou?)

Ps dois pontos peço desculpa se não acrescentei nada de novo às vossas vidas vírgula é que há certos assuntos que me fazem comichão no umbigo vírgula e quando assim é mais vale abre aspas coçá-los fecha aspas ponto final

quinta-feira, março 29, 2007

Onde Tá o Aeroporto?!

Caros basáticos,

E demais leitores cibernautas que se dignam a visitar esta humilde e acolhedora página...
Venho por este meio procurar resposta a uma dúvida, que insistente e recorrentemente toma de assalto o meu espírito: afinal, Onde Tá o Aeroporto?!

Não...ao contrário do que muitos podem estar a pensar, não se trata da dúvida que os pilotos das aeronaves têm ao acercar-se da Madeira...pois esse está lá...e só não vê quem não quer (bem...tem dias!!). Mas adiante...

Também não estou a falar do Aeroporto de Hong Kong...que segundo consta, aterrar um avião naquela pista sem arrancar roupa do estendal dos prédios à sua volta, é tão difícil como ver um vendedor de arcas frigoríficas no Pólo Norte, ou ver um canguru feliz e contente da vida a jogar strip poker com os bacalhaus da Noruega, ou ver uma avestruz enterrar a cabeça num bloco de gelo, ou ver um morcego descontraidamente a apanhar sol em Marrocos, ou...bem, acho que já deu para perceber a ideia...

E perguntam vocês...mas então que raio de conversa é essa sobre a fauna terrestre e que relação tem com a tal dúvida inicial "Onde Tá o Aeroporto?!"...??

A resposta, meus caríssimos leitores, é muito simples e tremendamente elucidativa: Já estivemos mais longe!!